A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

gris

gris

pedi que a lua
mandasse soprar vento livre
carinhos amáveis
toques doces suaves
e grisalhos

pedi ao sol o orvalho
amor liquefeito
em gotas
dias perfeitos
novas rotas

pedi ao sol o abraço
relegado ao espaço
sem gravidade
ou outras forças

pedi à lua
um flerte comigo
portador de coisas
previsíveis
aos meus ouvidos
insensíveis
que só escutam
aquilo que querem

pedi ao sol mil amperes
ao cozimento do mundo
meu vazio
e à lua um pavio
de chamas lacrimejantes

sacharuk


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