A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

a cobiça

a cobiça

já faz muito desde o sucedido
alguns não recordam mais nada
outros duvidam do acontecido

a meia-noite quebrou a calada
no grito da primeira badalada
lançada a sorte na noite de breu
eu estava lá quando tudo se deu:

em meio à mata, não sei bem ao certo
um rito secreto e uma estranha canção
o calor da fogueira ardia bem perto

construíram lá um grande portal
fundamentado em colunas de ouro
nele incrustado o amor ao metal
toda paixão p'ra compor o tesouro

a cobiça foi mãe da ira e da morte
da intolerância e do devir malogrado
os nativos insanos perderam o norte

ouviu-se som grave qual um trovão
que fez todo o povoado desperto
apenas uns poucos sabiam a razão
da queda de todos no limbo deserto

de nada adiantaram os meus mantras
sequer os apelos ao deus que esqueci
caíram por terra as crenças santas

todos arremessados no mundo abissal
por uma espiral no centro do estouro
jogados ao fogo mais quente infernal
reinado de um anjo coberto de louros

sacharuk


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