A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

O corredor

O corredor

Nesse momento, minha primeira sensação é o frio na barriga. E, logo, sentirei um calor insano nas bochechas. O oxigênio escasso irá produzir uma secura que me tomará os pulmões, enquanto minha visão se tornará turva. Assim sempre acontece. Minha rotina emocional bem organizada e previsível faz minhas mãos suadas tremerem. E hoje faz calor. Sei o que se aproxima. Eu posso ouvir os passos de botinas confundindo os meus batimentos cardíacos. 
Um padre e sua bíblia. E poucos dentre nós são cristãos, senhor.
Maldonado deu apenas um grito seco, como disse que o faria. Espero que o tenhas amparado. Foi rápido. 
Que seja assim também quando chegar a minha vez. Amém.


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