A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

terça-feira, 21 de julho de 2020

breu

breu

noite sem lua
paira assim
...desnecessária

carece de adrenalina
uma emoção à toa

noites sem lua
são todas iguais
não têm fim

o gato preto
contra o fundo escuro
esvanece
sobre o telhado do galpão
um vulto
na falta de luz

no céu
duas ou três estrelas opacas
derradeiro brilho
de um apelo iluminado

sei que há vida oculta
segredada na noite escura

e um grito na rua
reverbera trôpego
entre as paredes das casas
vira esquinas
atravessa ruas
que grita gosto de medo
e cheiro de orvalho

na noite sem lua
o gato do telhado
observa atento
os cães famintos
loucos na madrugada
que brigam ferozes
por um pedaço de vida

sacharuk


Nenhum comentário:

Postar um comentário