A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 21 de julho de 2020

Fruto podre

Fruto podre

Oh, patife mordaz de olhos bovinos!
Não tens em teus secretos mensageiros
Da discórdia, alguns biltres assassinos
Que queiram lutar co’os de pés ligeiros?

Velho, filho do mal, Fruto estragado
Duma árvore maldita, tu também
Serás severamente torturado
Pelos demônios ríspidos do além.

Sentirás que num golpe do destino
Comichar a bicheira no intestino
A comer o teu bucho esfarrapado

Saberás que na volta dos ponteiros
O teu couro, tua honra e teu dinheiro
Servirão p'ra coabrir os teus cagados.

David Moura & Sacharuk


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