A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 20 de julho de 2020

pela merda da televisão

Pela merda da televisão

Ainda bem que o céu ainda não despencou sobre as cabeças. Que poupe a nós, que vimos as nossas vidas parcas cobertas de fogo e lava sobre o intento da beleza.

A arte coitada sucumbiu em favor da mídia que bombardeia com gana e engana com sedução e astúcia ofídia. Esqueceram-se as delicadezas. E o tolo, idólatra de merda, repete a programação ao acaso. E das nossas certezas, sobrou apenas esse acaso.

Dizem que a vida vai de mal a pior. Dizem tanto, mas tanto, que já sei de cor, mas sei, também, que isso nada muda.

É melhor ficarmos atentos e aguardar que chegue um momento qualquer. Algo que faça diferença aos nossos moles miolos. Melhor esperar por alguma dor, talvez, ruptura. Alguns, decerto, desatarão em plena oração, outros tantos reclamarão que a vida é dura. Mas, disso eu já sei.

Ainda melhor que é farta a programação. Senão, restaria comentar as intempéries com o outro zumbi na fila do banco.

Podemos não entender o telejornal. Podemos rediscutir futebol. Olhar para a tela da vida pintada por uma novela e sonhar em ter alguma paixão. Somos uma nação de merda, comandada pela merda da televisão.

sacharuk

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