A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Maquinário vitoriano, de Tim Soares - www.inspiraturas.org

Maquinário vitoriano

Jaz aqui selvagem máquina
Feita em fogo, fazendo amor
Devorando o céu em denso torpor
Corroendo a paisagem pálida

Explodindo arbustos nascituros
Maquinário melancólico chora
Organismos eletrônicas da moda
Da Belle Époque de um passado escuro

Destroçando em nome que não há pronúncia
Em nome do pai a Pax Brittanica
Em nome do filho a fúria titânica

E do espírito santo secular renúncia

Tim Soares

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