A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 20 de julho de 2020

alma das paredes

alma das paredes

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

aqui são tristes
passam calmas
as noites frias
e dos úmidos dias
apenas ouço
os murmúrios

aqui é escuro
profundo
tal poço
as cores sombrias
perpassam 
os olhos intrusos
que me habitam

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre

apenas ouço
os murmúrios

aqui é cinzento
nessas casas lindas
do século XVIII
suas paredes têm alma

eu ainda te vejo
eu ainda te vejo
te vejo
para sempre

sacharuk


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