A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 20 de julho de 2020

sol raro

sol raro

surgiu sol raro
forte e tímido
entre nuvens
viajantes

luziu os semblantes
secou chuvas
o chão úmido
das casas
secou no calor

surgiu o sol raro
e tão caro
trouxe de volta a cor

surgiu sol tal afago
carinho e bondade
entre flores
traçou rumos verdejantes

reluziu diamantes
enxugou as cidades
o mar das fatalidades
aqueceu com amor

surgiu o sol tal afago
e tão caro
levou toda a dor.

sacharuk

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