A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 20 de julho de 2020

Rouco gemido

Rouco gemido

O grito que te rasga a voz
renuncia aos teus argumentos
evoca barbáries
lamentos
apressa as intempéries
de todos os tempos

o grito te desata o nó
faz retalhos
provoca catarses
estragos
no abismo dos impasses
risca um atalho

Talho rouco na pele do eclipse
faz sangrar os céus 
em magentas azulados
gotas de medo e espasmos
nos céus de todos os ritos

Varamos as madrugadas desnudas
silenciosos ecos flamejantes
por entre fogueiras errantes
estrelas dançantes riscadas no chão

E Enfim,
O berro ecoa lancinante
Fazendo malabarismos de instantes

E morre gelado na glote

Outra vez.

sacharuk e Márcia Poesia de Sá



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