A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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domingo, 21 de junho de 2020

Os 21 casos de L

Os 21 casos de L

Amava o A com urgência e volúpia
Beijava o B com carinho e ternura
Caminhava com o C, um casal bonitinho.
Dormia com o D pra variar um pouquinho
Esperava o E perfumada e pintada
Flertava com o F na cara lavada
Gozava com o G e acendia um cigarro
Hoje o H é o maior dos seus casos
Ia com I para o Motel dos Amores
Jogava com o J pra se sentir no controle
Moldava o M ao seu bem querer
Negava ao N qualquer forma de prazer
Ontem o Ó lhe tomou o acento
Pecou com o P, o qual foi pr’um convento.
Quis que o Q lhe levasse a Havana
Romance com o R, uma vez por semana.
Seduziu o pobre S que não se conteve
Trocou a letra T por ter falhado umas vezes
Uniu-se ao U, o seu parceiro da vida.
Vadiou com o V com conhaque e tequila
Zombava do Z por não achá-lo tão sábio.

Jamais teve um caso, com o K, o X e o W.

Tim Soares

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