A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 20 de julho de 2020

qualquer dia

qualquer dia

desprendo a mim liquefeito
misturado  aos contornos perfeitos
dos teus bancos de areia

desprendo a mim
em vapores de luzes
desnudo dos desadornos
liberto das cadeias

desprendo a mim pelas veias
uma teia flexível e resistente

desprendo a mim tão valente
e a morte empunha a gadanha
à mancheia

desprendo a mim qualquer dia
lançando ideias
na lagoa da poesia

desprendo a mim qualquer dia

qualquer dia

sacharuk


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