A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

churrasco

churrasco

chamado para a indiada
regalo a los hermanos
o calor desprendido da brasa
guaipecas na volta da casa

alemães, italianos, serranos
indiada da nossa invernada
a gaita encanta a mateada
milongueio com os castelhanos

amizade que nunca defasa
distrai o peão haragano
acolhera toda a tropeirada
a trote na cavalgada
honra a liberdade
de qualquer orelhano

a cana sempre repassa
enquanto a costela
ainda assa
fumaça da lenha queimada
afugenta qualquer desengano
e enaltece a terra amada

 sacharuk

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