A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

texto inacabado

texto inacabado

O portão de ferro. Na sua metade inferior, a ferrugem contempla pequenos pedaços quase soltos do ferro oxidado. O chão de cimento cru, sem revestimento, revela um vasto caminho que leva até o fundo. Na metade do percurso há uma velha porta de madeira, tal o portão de entrada, apodrece lentamente por baixo, e sua pintura branca tem manchas de sol. O teto parece ter sido branco, tal as paredes. Nessas despencam nacos de tinta velha no chão de cimento.

Paredes em farelos.

Um ventilador de teto com teias de aranha. Recostada à parede, uma estreita escadinha de madeira. Sobre seus degraus, copos, garrafas já abertas, uma carteira de documentos, chaves diversas e o aparelho celular.

O televisor antigo de onze polegadas permanece ligado. Na tela, homens discutem e vestem gravatas.

Uma poltrona funda e ampla guarnecida por travesseiros. 

O homem sentado tem a cabeça caída sobre o ombro direito parece dormir. Entre seus dedos, uma caneta. Logo a sua frente, na escrivaninha de ferro, um caderno. Nele repousa um texto inacabado.

sacharuk

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