A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

o sol que pinga


o sol que pinga

bem cedo
o sol que pinga é diferente
pinga em concisão
remédio
remédio que dá fim na dor
e no tédio

agora eu via o sol
pela tonteira da visão
e a cor
a cor do raio é o calor

quando pinga
pinga energia na gente
bem no coração
acolho
o que abre o chakra e o olho

agora eu via o sol
tão no coração
bem quente
quente a manhã
de fogo ardente

o sol consome a morte
e a semente
fácil e sem perdão
aquece
aquece a memória do karma
e esquece

sacharuk

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