A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

nenhuma crendice é meu desatino

nenhuma crendice é meu desatino

quero o melhor ceticismo
para reverter toda crença
que não seja só cinismo
que não traga desavença

quero o caminho alargado
da existência excomungada
planar sob céus de pecado
tal guia pagão na estrada

o seu preconceito
é sua contradição
revelada num hino
na cruz em seu peito
no rosário na mão

sou eu mesmo o artífice
do meu próprio destino

quero viver o ateísmo
sem ouvir palavras pretensas
contradizer o determinismo
daquele que crê e não pensa

e não preciso ser julgado
por qualquer lei forjada
e só quero ter respeitado
o solo das minhas pegadas

eu tenho pleno direito
a não ter religião
pago caro desde menino
não representa defeito
ser ateu ou pagão

nenhuma crendice
é meu desatino

sacharuk


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