A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Hora estreita, de Lena Ferreira - www.inspiraturas.org

Hora estreita

Eivados por um mar de ardente chama
dois corpos sem castidade nenhuma
sorvendo gota a gota, uma a uma
da sede que possui quem muito ama

Nessa hora estreita e intensa que conclama
à entrega absoluta, a que consuma
a energia fluida e se resuma
num líquido efeito e se derrama

Em ondas que, entre avanço e recuo,
embalam os corpos lisos, e intuo
alimentando a sede pelo doce

Das ondas que, em explosões perfeitas,
convocam espasmos nessa hora estreita
que deita como se passar não fosse




- Lena Ferreira -

Nenhum comentário:

Postar um comentário