A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Cavalgada

Cavalgada

Os longos dos anos vividos
entre porteiras abertas da estrada
os meus momentos todos perdidos
entre a esperança e o nada
entre o silêncio e a despedida
vislumbre de tal vista regata.

Daí anunciei meu pedido
no meio da noite enluarada
uma canção que fizesse sonata
por entre a brisa apanhada
venci os entraves do medo
e a poesia não se fez calada.

Raiou o sol ante a madrugada
vestida de aura tão delicada
fez do meu medo arremedo
fez da minha prece toada
em um galope de cavalgada
na despedida da alvorada.

Maria Sofia e Sacharuk


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