A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

sexta-feira, 17 de julho de 2020

cada crença corresponde com cada cadáver

cada crença corresponde com cada cadáver

corriqueiramente
coveiro chega capela
coloca cruz centralizada
castiçais com chamas
 convenientemente cintilantes
conquanto consome
 caneca com café
conforme chamusca cigarro

cabe coveiro
corresponder corpo
com caixão contratado

convém colocar cravos
condecorando casaco

como colaborador com cemitério
conforme chega
coloca chapéu contra claridade
cava... cava
cem centímetros
construindo cova

conforme correm cerimônias
conduz criaturas chorosas
consanguíneas com cadáver
conduzirem corpo
carregando caixão
coberto com camiseta
correspondentes com clube
cujo cadáver contribuía
cantam canções comovidas
como cadáver cantava
choram copiosamente
conquanto cuidadoso coveiro
coloca cobertura 
cerrando caixão
centraliza com cova

coisa comum
caírem crisântemos
como chuva colorida

contudo
certamente
cadáver continuará calado
completamente chateado
com culto cretino

sacharuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário