A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Admiráveis águas de março, de Tim Soares - www.inspiraturas.org

Admiráveis águas de março
(Inspirado na canção "Águas de março" de Tom Jobim)

É pau, é pedra...
Março traz novas águas
Agora pestilentas, raivosas
E fedendo à desgraça
Essas águas devoram cidades
Deixando apenas o inebriante
Perfume do caos
Águas que ceifam vidas
De algum João
De algum José
De um Véio China
São as águas de março
Fechando o verão

E deixando o vazio no meu coração



Tim Soares

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