A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

sexta-feira, 17 de julho de 2020

noites de estrelas cadentes

noites de estrelas cadentes

eu te procuro
nas noites quentes
de estrelas cadentes
que um dia plantei
no fundo do quintal

mas nunca eu sei
quando chega o sol
sei apenas ouvir
latidos dos cães
mas se gritas
ainda posso te ouvir

passo o tempo a sentir
e imagino que sintas
o teu próprio cheiro
impregnando as flores
deliciadas
em tua volta

no ballet dos amores
vejo-te solta
como nos sonhos
caindo comigo
sobre lençóis
azuis cor de mar

são tantos sóis
para me acordar
dessas noites
de estrela cadente
que certo dia plantei
no fundo do quintal
sacharuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário