A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Das sagas, de Tim Soares - www.inspiraturas.org

Das sagas

Eis aqui as minhas sagas
Nesta confronto o meu eu mais perverso
Derroto-o e assino um pacto com todas as variáveis
Já não há mais leis de tempo/espaço
No mesmo verso, bebo vinho, gozo e sangro
Na página seguinte visito todos os Países das maravilhas
Cada um com sua Alice
Vejo o meu eu confuso
Mergulhar nas águas pitorescas
Beijo as linhas raivosas da poetisa
E depois? Aí já é outra saga

Tim Soares

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