A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Conversa com minha mãe, de Marisa Schmidt - www.inspiraturas.org



CONVERSA COM A MINHA MÃE

Sabe mãe, eu não sabia
que um dia após outro dia
formasse o nosso rosário

e não sabia também
que todo o amor que se tem
forma enfim o corolário

que quem ama, sente saudade
e que mãe é na verdade
Deus em forma de gente

porque está sempre presente
mesmo quando não se vê
comigo está sempre você

Sabe mãe, eu não sabia
como é grande a serventia
de conversar em pensamento

e, até lhe peço desculpa
se esta filha sempre a ocupa
com bobagens ...e algum lamento

Sabe mãe, o tempo voa
e hoje sei que é coisa à toa
a morte que tanto apavora

pois essa velha senhora,
como a vida, é só ilusão
já que a realidade, mora no coração!

Marisa Schmidt

Nenhum comentário:

Postar um comentário