A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

ciranda dos braços

ciranda dos braços

poetas cantam
ciranda dos braços
quando luzes de versos
envolvem o espaço

quando há poesia
são curtos os laços
cruzados convexos
por todos os lados

poemas refletem
destinos emoldurados
nas mãos que se cruzam
num signo encantado

divinas mãos dos poetas
entrelaçam incertas
o amor desvelado

sacharuk

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