A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

RIOS DE ÁGUAS ANTIGAS, de Lena Ferreira - www.inspiraturas.org

RIOS DE ÁGUAS ANTIGAS

Íntimos de margem a margem
aguamos o chão de tabatinga
onde olhos mergulham nos olhos
e a lenha seca a céu aberto
borbulho a água pro café
enquanto derriça o mato miúdo
lambemos o sumo no pé:
jambo, manga e graviola
pitanga, amora e jamelão
sal, sol, céu e sim e não
margarina e malagueta
chuva, sereno e orvalho
renda, sede, rede e risos
nada, nada mais preciso
nosso leito nos abriga
somos rios de águas antigas

- Lena Ferreira -

Nenhum comentário:

Postar um comentário