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Era maio, talvez setembro..

Era maio, talvez setembro..

Daquilo tudo o que eu era restaram somente palavras. Logo, não mais do que palavras é o que agora sou.  Alimento-me de sonoros substantivos. 

Fiz brotar húmus de flor para voltar ao princípio. Danço sapateando com o verbo.

Risquei um tempo insano sob o prisma de qualquer existência. Era tarde, quase noite, quando tremenda chuva de versos, diluídos ao whisky, derramou-se e, despudoradamente, fui banhado. Parti ao encontro da palavra pelado das roupas, das crenças e das ciências.

Desde então, fez-se outro o meu intento. 

Era maio, talvez setembro. Não sei ao certo... lembro apenas de ter visto um poeta pedalando uma bicicleta velha.

Dia desses tornei a vê-lo, sentado na asa de um avião.

sacharuk 





não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.