A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

Era maio, talvez setembro..

Era maio, talvez setembro..

De tudo o que eu era restou somente palavras. Logo, não mais do que palavras é o que agora sou. Me alimento de sonoros substantivos. 

Fiz brotar húmus de flor para voltar ao princípio. Danço agora, sapateio com o verbo.

Risquei um tempo insano sob o prisma de qualquer existência. Era tarde, quase noite, quando uma tremenda chuva de versos, diluídos com whisky, derramou-se e,despudoradamente, fui banhado. Parti ao encontro da palavra pelado das roupas, das crenças e das ciências.

Desde então, fez-se outro o meu intento. 

Era maio, talvez setembro.. Não sei bem ao certo... lembro apenas de ter visto um poeta pedalando uma bicicleta.

Dia desses tornei a vê-lo. Sentado na asa de um avião.

sacharuk 

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