A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

entorpecente

Entorpecente

-Rezaste?
-Não!
-Fizeste o quê, então?
-Sabes, Santidade, a Sininho...
-Opa, esqueças essas ideias pagãs.
-Ela é fada!
-Cala-te, menino, respeita-me!
-Não é isso... é a magia... aquele pó.
-Pó?
-Sim, pó.
-Que pó, baixinho?
-Pirlimpimpim, eu acho
-Isso é droga.
-Não, é pó... pó mágico... brilhante.
-Se é mágico, deve ser entorpecente.
-Padre! É a Sininho...
-Menino, não mistures mulheres fadas com pó mágico... isso tem aspecto de vício.
-Não é isso, Santidade!
-Dez padres nossos, com a pureza do coração. Peças absolvição e afasta-te das drogas.

sacharuk

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