A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

deslizam lentos

deslizam lentos

deslizam lentos
os dedos
a boca
o queixo
a cabeça
a face
o tato
o nariz

deslizam lentos
a nuca
os cabelos
os fios

a mão espalmada
que puxa
assim, de leve
para não assustar

lentos
a língua
o nariz
deslizam
as bochechas
o lado
o outro

os recônditos
os dentes
a gengiva
o céu

as mãos
os  braços
os espaços
deslizam lentos

as pálpebras
os lábios
a linha
o desenho…
a umidade
o entorno
as dunas
a volta
o vale

lentos deslizam
os  olhos
que encantados
suplicam sentir

sacharuk


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