A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

arrisco dizer

arrisco dizer


talvez eu queira
minha amiga
apenas te ver
perder o medo

arrisco dizer
o que não sei
eu deixo acontecer
e eu sei
o que queres da noite
e amanha sei o que farás
eu deixo acontecer

e eu quero
fazer amor essa noite
depois ver o sol nascer
eu deixo acontecer

tu perdes o ar
minha amiga
eu perco a calma
e deixo acontecer

eu sempre volto
tu queres me envolver
e tu deixas acontecer

e eu sei
o que queres da noite
e amanha sei o que farás
eu deixo acontecer

e eu quero
fazer amor essa noite
depois ver o sol nascer
eu deixo acontecer

sacharuk

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