A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

caminho divertido

caminho divertido

tocar-te os cabelos
deslizar-te os dedos
arranhar-te a cabeça
provocar-me arrepios

percorrer-te os olhos
teu nariz
na ponta dos dedos
e ver-te sorrir
sorrir-me a ti

brincar-te os lábios
olhar-te olhar
cara de fome
que atiça

minha boca 
teu pescoço
de baixo para cima
para depois
mordiscar-te o queixo

pegar-te nos ombros
beijar-te a boca
delicadamente
no cantinho
que sabe sorrir divertido

viajar-te as belezas
toques suaves
que deslizam
tal escultor
andarilho nas dunas 
de Camille Claudel
e tocar-te os picos 
minhas palmas

vigiar-te a boca
que entreaberta
sorri
e logo pede
lamber-te as coxas

mordiscar-te a pele
com cuidado
afastar tuas pernas
desvendar-te o cheiro
circundar-te leve
a língua

olhar-te
tal quem pede
o direito de ter-te
dedilhar-te as pétalas
beijar-te o núcleo
delicado

percorrer-te caminhos
língua molhada
perdida no meio
bailar-te na boca
para descobrir
teu sorriso divertido

sacharuk


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