A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

nos anais

Nos anais

Reger o continente depravado
É missão de sinistros animais,
Assassinos, ladrões e generais,
No parlamento esplêndido do Estado!

Organizam discípulos desleais...
A vil conspiração do Consulado
Por homens de respeito invalidado
Em quartéis, ministérios, catedrais

São bestas que figuram nos anais
Presidentes, senadores, deputados
E os juízes, assessores e cardeais

E o povo indolente e seviciado
Dá de costas, de frente e de lado
E vez por outra ainda pede mais.

David Moura & Sacharuk


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