A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

sexta-feira, 17 de julho de 2020

saudades aladas

Saudades aladas

Nos últimos sábados, duas abelhas adentram pela janela da cozinha, exatamente no horário em que sirvo o almoço.

Elas parecem ter feito amizade comigo e com meus filhos. Pousam na borda dos pratos, nos cabelos e sobrevoam em volta de nossas cabeças.

Hoje estou só, sem os filhos. Ainda assim, as abelhas vieram e, cada qual, pousou sobre uma de minhas pálpebras. Continuei almoçando devagar. Ficaram ali até que eu terminasse. Depois, uma decolou até a gola do meu casaco e a outra ficou passeando sobre o meu brinco.

Não fossem as abelhas, eu teria provado a melancolia do meu almoço solitário. Cheio de saudade doce.

sacharuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário