A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

NAS MANHÃS VERDES AINDA, Lena Ferreira - www.inspiraturas.org



Nas manhãs verdes ainda
os seios das sementes trazidas pelas aves
amamentam a sutilíssima promessa
em juras de colher diálogos claros

de vento isentas, assistem ao ensaio
de uma brisa que adolesce, risonha e macia
enquanto sussurra umidades para o campo
ervado estranhamente em brevidades e hiatos

tudo é espera suave
- adubo, rega, zelo e capina -

Nas manhãs verdes ainda
o sol, preocupado, se ocupa a mais nessa campina:
amadurece a brisa e, amortecendo os silêncios graves,
a promessa da colheita logo está pronta a ser cumprida

NAS MANHÃS VERDES AINDA - Lena Ferreira -

www.parescencias-lenaferreira.blogspot.com.br

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