A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quinta-feira, 2 de julho de 2020

entre rosas e açoites

entre rosas e açoites

és água de Tales
princípio das coisas
e crua
dissipas matérias
em ideias nuas

qual gérmen
de um mundo estranho
feito de aliens
e coisas afins

habitas os confins
dos pensamentos
a textura do pó
do cimento
da areia
e diamante

és de um tipo formal delirante
que insurge poesia
e brota nas noites
entre os capins
as rosas
e os açoites
para habitar o meu dia

sacharuk


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