A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 30 de junho de 2020

Dig a pony, de Tim Soares em www.inspiraturas.org

Dig a pony

Façamos um brinde
Ao desenfreado desejo de um pouco de tudo ao mesmo tempo
Façamos um brinde
Á demência maquiada nas faces cínicas
Façamos um brinde
Á essa vã filosofia capenga tratada como puta barata
Façamos um brinde
Ao fanatismo que cria densas muralhas
Façamos um brinde
Às conjecturas absurdas sobre a vida
Façamos um brinde
Ao amor mal feito e à banal troca de fluídos
Façamos um brinde
Ao ensaio diário das nossas mortes
Façamos um brinde

Com as taças cheias de uma boa melancolia suave.

Tim Soares

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