A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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sexta-feira, 17 de julho de 2020

amora molhada


amora molhada

sabes amora
eu deveria pensar
em não chover mais em ti
mas isso não importa
se usas guarda-chuva

amora
não tenho capa
sequer uso luvas
saíram de moda

e se te incomoda
tu te apartas
dos pingos
te resguardas
no abrigo
se minha chuva
te molha

mas vai
vai amora
leva a cadeira
e teu maldito
guarda-chuva
senta lá fora
sem roupas

mas naquela hora
amada amora
eu bem sei
que tu ficas louca
se eu mergulho
nos teus olhos
em cântaros

amora
vejo sóis
se chovo em tua boca

sacharuk


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