A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Marisa Schmidt em É PRECISO O SILÊNCIO - www.inspiraturas.org

É PRECISO O SILÊNCIO

O silêncio ainda espreitando o vozerio
pede uma trégua no zumzum constante
apenas um hiato no desconforto gritante
onde o silêncio seja um calmante desafio

Que seja só um momento sem palavras
sem ruídos sem gritos ou rumores vãos
em que se repousem serenas as mãos
e o olhar vagueie por silentes aldravas

É preciso que se ouça cada folha que cai
e o mar que abraça os rochedos em gozo
nas límpidas manhãs do começo do outono

Uma canção ancestral que pela mente vai
servirá de guia a esse encontro silencioso
entre a alma e o universo, a casa sem dono.

Marisa Schmidt

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