A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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segunda-feira, 29 de junho de 2020

Marisa Schmidt ";Eterno Fogo" em www.inspiraturas.org

ETERNO FOGO

Percorro os velhos caminhos
salpicados de novas pedras
entre a paz e o desassossego
que por conhecido não medra
o medo, ancestral torvelinho
pondo ondas em estreito rego

São os caminhos de sempre
onde situo cada facho de luz
e suas veredas assombrosas
Tudo está lá,e conforme supus
o eterno fogo em seu trempe
cozinha esperanças saborosas

Nos tempos vários, nada é novo
para quem é velha caminhante
deste mundo vivido por dentro
onde sempre se segue adiante
e na tangência que se faz centro
a cada passo uma pedra removo...

Marisa Schmidt


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