A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

aprendiz de silêncios

aprendiz de silêncios

me deixa quedar
no abismo das ânsias
para entender o luar
as distâncias

me ensina as nuanças
do silêncio que fala
e que não sei escutar

mas que preciso
mesmo que não digas nada
que eu seja
aprendiz de silêncios

me deixa fluir
tal rio
na harmonia das calmas
em gotas serenas
uma a uma

me deixa ser rio
que te cerca
e tenta
a costear as vivências

dissolver coerências
molhar teus cabelos
que voam fáceis

me deixa na luz
da tua lua
tuas fases refletir
rio de ondas lilases

talvez em mim nades

me deixa fluir
tal rio
na harmonia das calmas
em gotas serenas
uma a uma

afaga as dores
acalma meus ventos
me ensina a ouvir
teus silêncios
teus silêncios
teus silêncios
um a um

sacharuk


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