A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

em matéria de amor

em matéria de amor

não entendo os auspícios
desse meu jeito
sou uma piada
em matéria de amor

não sei se amor
se define em conceitos
sequer se conceitos
têm vida ou cor

imagino que seja
caminho estreito
entre a cumplicidade
e o esplendor

asas abertas
no voo perfeito
passeio rasante
sobre ódio e rancor

não sei do que o amor
talvez seja feito
qualquer argumento
é muito suspeito
mas toda a vivência
tem o seu valor

imagino que seja
tanto rarefeito
não é predicado
tampouco sujeito
mas é indelével
igual ao vapor

sacharuk

IMG_20171104_185541332

Nenhum comentário:

Postar um comentário