A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

a poesia nada resolve


a poesia nada resolve - acróstico

A poesia?

Para que presta poesia?
Ora, tenta comer um poema
E decerto terás azia
Sonolência e outros problemas
Insônia e até anemia
A poesia não vale a pena

Ninguém compra poesia
Acostuma-te com outro tema
Dinheiro, fofoca, putaria
Até que tu entres no esquema

Rebela-te contra a poesia
E deixa de contar fonemas
Sai dessa vida vadia
Ocupa-te de coisas mais plenas
Livra-te da porcaria
Vai dia e vem outro dia
E a poesia não vale a pena

sacharuk

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