A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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terça-feira, 30 de junho de 2020

Felice


Felice 

ontem eu quis ver a Felicidade
e me preparei desde cedo
ela estava em outra cidade
então enviei um torpedo 

se eu pedisse
a amada Felice
para dar um passeio
talvez sobrasse patada
uma resposta debochada
esse era meu receio 

e quando chegou a hora
confesso que tive medo
pois eu só a via de fora
não participava do enredo 

então eu disse
Oi, Felice
senti falsear o joelho
pois eu vi na sua cara
uma certeza tão rara
como se olhasse o espelho 

saímos para comer pizza
e lá contei uns segredos
retratei-me das injustiças
admiti meus arremedos 

se eu sentisse
que Felice
não veio ouvir conselho
talvez ficasse calada
eu já não diria mais nada
além dos olhos vermelhos 

sacharuk

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