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sopro minuano de vento

sopro minuano de vento

índia menina
na terra da dor e da rima
nativa de versos rasgados
a tristeza tu tens enlaçada
nos cabelos entrançados

vivo nos traços da lua 
por querer te saber
por tanto querer

a noite ecoa o teu canto
perdura dias inteiros
atravessa os janeiros
sonhos e desencantos
desenganos e devaneios

índia, todos os dias
risca no chão
um verso de poesia
no arroubo da perfeição
que de tão perfeito
provoque algum medo

deslizo meus dedos
entre teus cabelos
beijo as madeixas
espalhadas no peito
acarinho as queixas
afago as lembranças
liberto lamentos
desfaço tuas tranças
ao sopro minuano do vento

sacharuk

The Indian Woman by Manisha Raghav
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não estou para falar de amor se ele ainda não dói, nem rói, nem pede flor. Não há flores na minha poesia, as arrancadas são mortas, são decoração de sepultura. Meu poema é heresia. Conheço esse tal de amor, não encontrei deus algum e amor e deus até podem ser compatíveis mas não dependem um do outro, o único ponto em comum: eles não são invencíveis. Não falarei de coisas que desconheço, pois o meu apreço é pelo amor que sinto e não devo a uma criatura que o senso comum insinua e minha cabeça não atura. Minha escrita é a riqueza que colho do meu presente, mesmo que seja inventado, pois poeta mente, mas não se faz ausente, e eu não vivo de passado nem me dedico à tristeza, só quando fico parado. Grito contra o que abomino e não suporto determinismo. Minha ferramenta é o poema e meu alvo é o sistema. Sou tipo existencialista meio insano, meio analista, falso moralista, talvez sartreano. Tenho a marca da história. Todo gaúcho é artista e sou pampeano com muita honra e glória. Sou amigo da filosofia e esta não é feita de fadas, nem gnomos e crenças, nem de almas penadas ou universais desavenças. Eu vim aqui escrever poesia e isso para mim não é só brincadeira, pois no fim, o que consome energia é o abre e fecha da porta da geladeira.