A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

OFICINA DE ESCRITA LITERÁRIA INSPIRATURAS - on line e presencial - novos desafios - inscreve-te! Integra conceitos, técnicas e inspiração em desafios lúdicos e escreve poesia, crônicas e contos

quarta-feira, 1 de julho de 2020

Tela de mar

Tela de Mar

Onde anda o mar que pintei para você?
E aquela onda sonora de puro prazer?
Ja perdi minha paleta de sombras...
E minhas notas não consigo conter

Na minha parede penduras outras telas
E meus sons ecoam em outras esferas
lanço em teus cristais as minhas bombas
como música sem dança e sem prazer

Escrevemos um triste enredo de folia
E em nossas linhas ja não vive harmonia
Como escrever um romance com final feliz
Se continuamos a viver por um triz

Com o dedo em riste para minhas manias
E nas cores tão pálidas do dia-a-dia
Não quero mais pintar as mazelas
Sem mares, sem música e letras belas.

Márcia Poesia de Sá & Sacharuk

Nenhum comentário:

Postar um comentário