A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

e se for pecado?

e se for pecado?

dos pecados não me arrependo
sou desobediente
ovelha infiel
o avesso do crente

me faço purificado
não sou o criador
nem manipulador
do motor imóvel
adulterado

nenhum pecado confesso
não sou penitente
minha água benta é ardente
mantenho meus vícios
meus ofícios
meus artifícios
a reza de trás para frente
no rosário de uma serpente

e gosto de dinheiro, muito
de boa comida
da vida bebida
algum excesso
algum descontrole

e continuo irado
depravado
odiado
rancoroso
raivoso
luxurioso
preguiçoso
nada caprichoso
soberbo...
implacavelmente soberbo

qual beato abençoado
me fará dizimado
por uma ameaça ridícula
de um medo infundado?

e se for pecado?
não é problema meu
me sinto agraciado
por tudo que a vida me deu

sacharuk





”E se for pecado?” recitado por Dani Maiolo

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