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A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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chá

chá

o artesão
das letras
trouxe um diapasão
de mutretas

moveu o agá
que estava calado
para antes do a
mas nem assim
se ouviu o chiado

trouxe de cá
levou para lá
deixou antes do a
mas precedido do cê

para quê?
ouvir a coisa chiar

agá no início
é tanto mudo
talvez também surdo
não iria escutar!

o artesão
das letras
para tomar chá
mistura o cê
o agá
e o á

sacharuk



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