A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

teu rosto no espelho - acróstico

teu rosto no espelho

Tua taciturna imagem, pai
Emerge do espelho da minha alma
Uma mescla de vigor e de calma

Refração única de nossas faces
O reflexo confunde os sinais
Soma de traços tão ancestrais
Tradução sucessiva de enlaces
O vínculo entre filhos e pais

No teu doce abraço, meu amigo
O carinho tácito, nosso abrigo

Eis que hoje somos refletidos
Sou tua sombra e tua herança
Percebidas além dos sentidos
Entre a espera e a esperança
Logo, talvez sejamos um, pai
Holograma de elos perdidos
O espelho remete à lembrança

sacharuk


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