A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Inexata escansão

Inexata escansão

O poema é catarse
do emergente disfarce
da irreal projeção

Ansiedade anoréxica
de uma fome poética
sem ideal convenção

A retórica insalubre
introjeta o tom lúgubre
reinventando a escansão

O poema é contentar-se
com o displicente inaugurar-se
frente a real inexatidão

Antinomia léxica
de uma sede ética
na sobrevinda árida dos dizeres

Paradoxo inconteste
donde a lugubridade transmuta-se
na força pulsante, da emergente criação.

Luciana Brandão Carreira & Sacharuk

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