A poesia delira ao diapasão e, logo, intenta aos acordes da lira. Poesia que tanto descreve saliva de beijo, bem como a imagem do pensador com o queixo poisado nos dedos. Poesia pode andar no eixo para não ouvir queixa, mas pode andar fora e criar desavenças. Há poesia das crenças, poesia do lixo, poesia pretensa, poesia das gentes, poesia dos bichos. Ela é o amálgama do mundo, verte por tudo. É ofício dos nobres, sedução dos espertos, marofa dos pobres e sina dos vagabundos. Também vive escondida na língua dos analfabetos. Poesia é isso tudo e mais outro tanto, no entanto, poesia não é absurdo. Absurdo é querer-se mudo; absurdo é querer-se surdo; absurdo é querer-se cego. (Tudo e mais outro tanto - sacharuk)

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quarta-feira, 1 de julho de 2020

Gira mundo

Gira mundo

Girei meu mundinho no ar
Ligeiro tal qual um pião
Num amplo espaço a rodar
Nadando nessa imensidao
Dançando sobrava lugar
Espaço sem céu e sem chão

Girei...
E giro no mundo sem par
Buscando maior amplidão
Não quero da vida levar
Migalhas desse mundo cão
No giro que a gira me dá
Sufoco a dor. O meu lugar
Procuro, me viro, em vão...

Lena Ferreira & Sacharuk

http://www.vaosdiversos.blogspot.com.br//

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